18, May, 2013
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"Hoje o sol não nasceu. As esperanças foram mortas a facadas por mocinhas perfeitas da novela das nove, de cabelos longos e olhos claros, de esperanças rasas e escassez de frio. Mesmo o sol não nascendo, sendo esmagado por olhos tão negros quanto o breu, olhos mortos perseguidos pelo tempo, continuo sentada nessa cadeira velha, empoeirada e tão suja quanto eu. Olhando pra trás mais uma vez, meus olhos embaçam. O passado é uma caixa difícil de ser aberta, é uma facada no estômago, ainda mais no nosso. Toda a dúvida que molda quem eu sou é colocada em frente ao espelho, e me vejo tão morta quanto você em um dia de sol. Você é meu cigarro que não para entre os dedos, é a o vento frio que entra pela fresta da janela e me abraça, é a flor que morre no verão e volta na primavera, é a corrida ganha antes mesmo da largada, o sopro de tempo, realidade, e verdade. É o piscar de olhos pra um abraço quente, a salvação em um pouco mais de um metro e meio de altura.
Mesmo quando o dia não chega e é engolido pela escuridão, eu nasço a cada palavra. Renasço a cada esperança de flash back que poderia ter em relação ao meu passado que fará o meu futuro ao seu lado. No fim, te amo nos dias em que o vento é imperceptível, em que os olhos se fecham e não abro mais. Te amo, talvez, até quando todas as luzes são apagadas, quando a lua ilumina o resto de noite da cidade, quando os olhos se encontram, quando os corações se juntam, quando as esperanças se renovam, quando sou morta a facadas pela mocinha perfeita da novela das noves.
Te amo nos dias em que o sol não nasce, em que a noite não chega, te amo nos dias que não existem, nos dias que vão embora. Te amo na vida, e na morte, nos socos no estômago e na esperança presente em um pouco mais de um metro e meio de altura."
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Maria
18, May, 2013
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"Sou a nostalgia de um amor que me renegou
Sou a esperança que de tanto acreditar morreu
Sou as esquinas de ruas onde a gente se encontrou
Sou os lençóis da cama que um dia nos aqueceu
Sou as cinzas no cinzeiro que você deixou
Sou a saudade dos carinhos que você me deu
Sou os restos de um amor que foi e não voltou
Sou o passado que faz do presente museu
Guardando sobras e mesquinharias
De um sentimento que nunca me pertenceu"
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18, May, 2013
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"Nasceu uma flor na rua dos farrapos. Ah, que extraordinário. Brotou uma flor no asfalto, no pisar dos sapatos, na sombra dos chapéus, nesta estrada de chão. O mendigo que andava cabisbaixo, o menino que morava do outro lado da rua, Sr. Manuel, o dono da mercearia… A rua inteira parou para ver o que ali acontecia. Ah, que extraordinário! A flor nos alegrou o dia. Nasceu uma flor na rua dos farrapos, se afastem, por favor. Hoje à noite os céus choram, nasceu amor na rua dos farrapos. Afastem-se da flor, meus caros farrapos, afastem-se do meu amor. Ah, que extraordinário, nasceu uma flor na rua dos farrapos."
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Trovador